Image Map

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Babesiose Canina - Revisão de literatura

RESUMO

Este trabalho tem por finalidade investigar as causas, métodos de diagnostico, epidemiologia, tratamento e prevenção da hemoparasitose conhecida como Babésia. A pesquisa foi realizada através de  revisões bibliográficas. Os resultados indicaram que os exames são de grande importância para diagnósticos prévios, mas existem maneiras bem praticas de se evitarem a exposição do animal a doença.
Palavras-chave: Babesiose, Hemoparasitose, Doença do carrapato. 
INTRODUÇÃO

As hemoparasitoses são enfermidades de ocorrência mundial causadas por parasitos
intracelulares obrigatórios de células sanguíneas (URQUHART, 1998). São transmitidas biologicamente pela picada de artrópodes hematófagos, principalmente por Rhipicephalus sanguineus, e pelos gêneros Amblyomma e Anocentor, que também possuem importância no ciclo de algumas destas doenças (TORRES et al., 2004). Acometem animais de várias espécies, dentre elas cães e gatos. Podem ser sub-clínicas, ou seja, não causarem sintomatologia ou podem levar os animais a desenvolverem manifestações clínicas variáveis e até quadros clínicos mais severos que podem evoluir para o óbito (O’DWYER, 2000).

A babesiose canina é claramente uma das mais importantes infecções dos cães por
hemoprotozoários originários do carrapato nas regiões tropical e subtropical do mundo. A Babesia canise a Babesia Gibson são as duas espécies capazes de infectar o cão
(BRANDÃO; HAGIWARA, 2002).

BABESIOSE

Os vetores da babesiose canina são os carrapatos pertencentes à família Ixodidae (MAHONEY, 1977). Os principais responsáveis pela transmissão da doença são os carrapatos da espécie Rhipicephalus sanguineus, o carrapato vermelho do cão. Outras espécies, com o Dermacentor spp., Haemaphysalis leachi e Hyalomma plumbeum, também podem trasmitir o agente (BRANDÃO; HAGIWARA, 2002).

ACHADOS CLÍNICOS

Os cães podem ser acometidos por infecções subclínicas, superagudas, agudas, crônicas ou atípicas (NELSON; COUTO, 1998). No entanto, duas síndromes respondem pela maioria dos sinais clínicos observados em cães com babesiose: uma é caracterizada por choque hipotensivo (moléstia hiperaguda), e a outra, por anemia hemolítica (moléstia aguda).

A moléstia hiperaguda caracteriza-se por choque hipotensivo, hipóxia, lesão tecidual intensa e estase vascular. Ocorre ocasionalmente em filhotes de cães infectados, não tendo sido relatada em animais adultos. Geralmente, observa-se choque, coma ou morte em seguida a menos de um dia de anorexia e letargia, podendo, ainda, ser observada hematúria (TABOADA;MERCHANT, 1997).

A moléstia aguda é caracterizada por anemia hemolítica, trombocitopenia e esplenomegalia. Especialmente em cães jovens ou em adultos infectados por B. gibsoni, podem ocorrer óbitos, mas a maioria dos animais irá recuperar-se. Também são comumente observados anorexia, letargia e vômitos. Podem ser notadas ainda hematúria e icterícia, principalmente em cães infectados por B. canis, podendo ocorrer também linfadenopatia generalizada e edema periorbitário. A anemia hemolítica imunomediada é a principal moléstia a ser diferenciada da Babesiose (TABOADA; MERCHANT,1997).

As infecções crônicas caracterizam-se por febre intermitente, diminuição do apetite e considerável depleção do estado físico (TABOADA; MERCHANT, 1997). Terminalmente, tornam-se evidentes insuficiências hepática e renal (LITTLEWOOD, 2001). A B. Gibsoni causa, caracteristicamente, doença crônica, apresentando como principal sinal uma anemia progressiva (LEATCH, 2001)

A diversidade de sinais clínicos observados nas diversas manifestações da babesiose canina provavelmente é devido a infecções mistas, por Babesia spp. e Ehrlichia canis (TABOADA; MERCHANT, 1997).

METODOS DIAGNOSTICOS

A história e a sintomatologia clínica em geral são suficientes para justificar um
diagnóstico de babesiose (URQUHART et al., 1996).

DIAGNOSTICO LABORATORIAL

Em cães com babesiose, é comum a detecção de anemia regenerativa, hiperbilirrubinemia, bilirrubinúria, hemoglobinúria, trombocitopenia, acidose metabólica, azotemia e cilindros renais (NELSON; COUTO, 1998).
A anemia observada geralmente é normocítica normocrômica de baixa intensidade nos
primeiros dias após a infecção, tornando-se macrocítica, hipocrômica e regenerativa à medida que a moléstia progride. A reticulocitose é proporcional à gravidade da anemia.
Anormalidades leucocitárias são observadas inconsistentemente, podendo ser: leucocitose, neutrofilia, neutropenia, linfocitose e eosinifilia. (TABOADA; MERCHANT, 1997).
O diagnóstico de babesiose é firmado pela demonstração da presença dos protozoários
no interior de eritrócitos infectados (TABOADA; MERCHANT, 1997). Os esfregaços
sangüíneos são confeccionados com sangue periférico e corados por colorações do tipo
Romanowsky, como Giemsa, Wright, Rosenfeld ou Diff-Quick (OLICHESKI, 2003).
Uma vez cessada a fase febril aguda, freqüentemente é impossível encontrar os
parasitas, pois os mesmos são rapidamente removidos da circulação (URQUHART et al., 1996).
É imprescindível a análise citológica do esfregaço sangüíneo, pois através da mesma
torna-se possível a diferenciação entre as espécies B. canis e B. gibsoni (BRANDÃO;
HAGIWARA, 2002).
Dentre os testes sorológicos empregados, a reação de imunofluorescência indireta para
determinação dos anticorpos contra a Babesia spp. tem utilidade no diagnóstico, visto que provavelmente os cães não eliminam completamente o parasita após a infecção (TABOADA; MERCHANT, 1997).

TRATAMENTO

O tratamento de cães com babesiose está direcionado para o controle do parasita,
moderação da resposta imune e tratamento sintomático (TABOADA; MERCHANT, 1997).
Até certo ponto, depende da espécie de Babesia spp. a ser tratada e da disponibilidade de drogas particulares em regiões individuais (URQUHART et al., 1996). A B. gibsoni apresenta uma menor resposta à terapia quando comparada com a B. canis, e também tem menor probabilidade de responder apenas à terapia sintomática (TABOADA; MERCHANT, 1997).
Existem vários babesicidas efetivos, incluindo sulfato de quinurônio, aceturato de diminazeno, amicarbalida, isetionato de fenamidina e dipropionato de imidocarb (LEATCH, 2001). Entre os tratamentos preconizados a partir destes fármacos, os mais recomendados são o aceturato de diminazeno e o dipropionato de imidocarb.
Um tratamento de suporte pode ser combinado com a administração de um agente
babesicida (KLINEFELTER, 1982). Nos cães gravemente doentes pode ser necessário
fluidoterapia, transfusões de sangue ou administração de bicarbonato (SHAW; IHLE, 1999).


Nenhum comentário:

Postar um comentário