RESUMO
Este trabalho tem por finalidade investigar
as causas, métodos de diagnostico, epidemiologia, tratamento e prevenção da
hemoparasitose conhecida como Babésia. A pesquisa foi realizada através de revisões bibliográficas. Os resultados
indicaram que os exames são de grande importância para diagnósticos prévios, mas
existem maneiras bem praticas de se evitarem a exposição do animal a doença.
Palavras-chave: Babesiose, Hemoparasitose,
Doença do carrapato.
INTRODUÇÃO
As hemoparasitoses são enfermidades de ocorrência
mundial causadas por parasitos
intracelulares
obrigatórios de células sanguíneas (URQUHART, 1998). São transmitidas
biologicamente pela picada de artrópodes hematófagos, principalmente por
Rhipicephalus sanguineus, e pelos gêneros Amblyomma e Anocentor, que também
possuem importância no ciclo de algumas destas doenças (TORRES et al., 2004).
Acometem animais de várias espécies, dentre elas cães e gatos. Podem ser
sub-clínicas, ou seja, não causarem sintomatologia ou podem levar os animais a
desenvolverem manifestações clínicas variáveis e até quadros clínicos mais
severos que podem evoluir para o óbito (O’DWYER, 2000).
A babesiose canina é claramente uma das mais
importantes infecções dos cães por
hemoprotozoários originários do carrapato nas
regiões tropical e subtropical do mundo. A Babesia canise a Babesia Gibson são
as duas espécies capazes de infectar o cão
(BRANDÃO; HAGIWARA, 2002).
BABESIOSE
Os vetores da babesiose canina são os carrapatos
pertencentes à família Ixodidae (MAHONEY, 1977). Os principais responsáveis
pela transmissão da doença são os carrapatos da espécie Rhipicephalus
sanguineus, o carrapato vermelho do cão. Outras espécies, com o Dermacentor
spp., Haemaphysalis leachi e Hyalomma plumbeum, também podem trasmitir o agente
(BRANDÃO; HAGIWARA, 2002).
ACHADOS CLÍNICOS
Os cães podem ser acometidos por infecções
subclínicas, superagudas, agudas, crônicas ou atípicas (NELSON; COUTO, 1998).
No entanto, duas síndromes respondem pela maioria dos sinais clínicos
observados em cães com babesiose: uma é caracterizada por choque hipotensivo
(moléstia hiperaguda), e a outra, por anemia hemolítica (moléstia aguda).
A moléstia hiperaguda caracteriza-se por choque
hipotensivo, hipóxia, lesão tecidual intensa e estase vascular. Ocorre
ocasionalmente em filhotes de cães infectados, não tendo sido relatada em
animais adultos. Geralmente, observa-se choque, coma ou morte em seguida a
menos de um dia de anorexia e letargia, podendo, ainda, ser observada hematúria
(TABOADA;MERCHANT, 1997).
A moléstia aguda é caracterizada por anemia
hemolítica, trombocitopenia e esplenomegalia. Especialmente em cães jovens ou
em adultos infectados por B. gibsoni, podem ocorrer óbitos, mas a maioria dos
animais irá recuperar-se. Também são comumente observados anorexia, letargia e
vômitos. Podem ser notadas ainda hematúria e icterícia, principalmente em cães
infectados por B. canis, podendo ocorrer também linfadenopatia generalizada e
edema periorbitário. A anemia hemolítica imunomediada é a principal moléstia a
ser diferenciada da Babesiose (TABOADA; MERCHANT,1997).
As infecções crônicas caracterizam-se por febre
intermitente, diminuição do apetite e considerável depleção do estado físico
(TABOADA; MERCHANT, 1997). Terminalmente, tornam-se evidentes insuficiências
hepática e renal (LITTLEWOOD, 2001). A B. Gibsoni causa, caracteristicamente,
doença crônica, apresentando como principal sinal uma anemia progressiva
(LEATCH, 2001)
A diversidade de sinais clínicos observados nas
diversas manifestações da babesiose canina provavelmente é devido a infecções
mistas, por Babesia spp. e Ehrlichia canis (TABOADA; MERCHANT, 1997).
METODOS
DIAGNOSTICOS
A
história e a sintomatologia clínica em geral são suficientes para justificar um
diagnóstico de babesiose (URQUHART et
al., 1996).
DIAGNOSTICO
LABORATORIAL
Em cães com babesiose, é comum a detecção de anemia
regenerativa, hiperbilirrubinemia, bilirrubinúria, hemoglobinúria,
trombocitopenia, acidose metabólica, azotemia e cilindros renais (NELSON;
COUTO, 1998).
A
anemia observada geralmente é normocítica normocrômica de baixa intensidade nos
primeiros
dias após a infecção, tornando-se macrocítica, hipocrômica e regenerativa à
medida que a moléstia progride. A reticulocitose é proporcional à gravidade da
anemia.
Anormalidades
leucocitárias são observadas inconsistentemente, podendo ser: leucocitose,
neutrofilia, neutropenia, linfocitose e eosinifilia. (TABOADA; MERCHANT, 1997).
O
diagnóstico de babesiose é firmado pela demonstração da presença dos
protozoários
no
interior de eritrócitos infectados (TABOADA; MERCHANT, 1997). Os esfregaços
sangüíneos
são confeccionados com sangue periférico e corados por colorações do tipo
Romanowsky, como Giemsa, Wright, Rosenfeld ou
Diff-Quick (OLICHESKI, 2003).
Uma
vez cessada a fase febril aguda, freqüentemente é impossível encontrar os
parasitas,
pois os mesmos são rapidamente removidos da circulação (URQUHART et al., 1996).
É
imprescindível a análise citológica do esfregaço sangüíneo, pois através da
mesma
torna-se
possível a diferenciação entre as espécies B. canis e B. gibsoni (BRANDÃO;
HAGIWARA,
2002).
Dentre
os testes sorológicos empregados, a reação de imunofluorescência indireta para
determinação
dos anticorpos contra a Babesia spp. tem utilidade no diagnóstico, visto
que provavelmente os cães não eliminam completamente o parasita após a infecção
(TABOADA; MERCHANT, 1997).
TRATAMENTO
O
tratamento de cães com babesiose está direcionado para o controle do parasita,
moderação
da resposta imune e tratamento sintomático (TABOADA; MERCHANT, 1997).
Até
certo ponto, depende da espécie de Babesia spp. a ser tratada e
da disponibilidade de drogas particulares em regiões individuais (URQUHART et
al., 1996). A B. gibsoni apresenta uma menor resposta à terapia quando
comparada com a B. canis, e também tem menor probabilidade de responder
apenas à terapia sintomática (TABOADA; MERCHANT, 1997).
Existem
vários babesicidas efetivos, incluindo sulfato de quinurônio, aceturato de
diminazeno, amicarbalida, isetionato de fenamidina e dipropionato de imidocarb
(LEATCH, 2001). Entre os tratamentos preconizados a partir destes fármacos, os
mais recomendados são o aceturato de diminazeno e o dipropionato de imidocarb.
Um
tratamento de suporte pode ser combinado com a administração de um agente
babesicida
(KLINEFELTER, 1982). Nos cães gravemente doentes pode ser necessário
fluidoterapia,
transfusões de sangue ou administração de bicarbonato (SHAW; IHLE, 1999).
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